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Apae de Valinhos homenageia o fundador com o Memorial “Padre Leopoldo Von Liempt”
Valinhos, 10 de janeiro de 2011. Os 40 anos da existência da APAE de Valinhos serão comemorados em abril de 2011, com uma grande programação que inclui a inauguração do Memorial “Padre Leopoldo Von Liempt”, que está em execução na entidade. Uma comissão está buscando informações, colhendo material para compor este importante centro de memórias.
A psicóloga e coordenadora do Centro Clinico Márcia Taparelli, e o administrador da APAE Roberto Bernardi mantiveram um contato com Jerci Macari, um ex-seminarista, que conviveu com o padre Leopoldo , na Casa de Formação que existia em Valinhos, no bairro Santa Cruz e fez muitos relatos da convivência com o padre.
Jerci veio do Paraná e foi residir numa casa na rua Carlos Gomes, em frente a Maria Fogueteira, que tinha como diretor o Padre Leopoldo. De 1970 a 1972 morou na Casa de Formação como era chamada. Morava em Valinhos e fazia a faculdade em Campinas.
“ Padre Leopoldo era extremamente exigente e radical nas suas opiniões e pontos de vista, à medida que as turmas iam se revezando ele foi mudando a postura. Na época em que morei na Casa de Formação, era o tempo da ditadura militar e eu era um aluno diferente, que gostava das artes plásticas, um dom despertado no seminário e quando cheguei em Valinhos, existia o movimento Pesquisa 70, me entusiasmei muito, ingressei no curso de pintura oferecido pelo Conselho Municipal de Cultura, que funcionava na Câmara Municipal. Às vezes o padre aceitava e dizia: Jerci você está usando o tempo livre em outras ações, você precisa se dedicar mais às coisas da igreja”.
“Eu achava que padre também poderia ser um artista”, disse Jerci, mas esse não era o pensamento de padre Leopoldo, que lecionava na PUCC de São Paulo e de Campinas com aulas de filosofia e sempre na hora do almoço e do jantar, todos na mesa, discutiam questões filosóficas. Padre Leopoldo reconhecia o talento de Jerci nas artes plásticas na música através do violino e após 10 anos no Seminário, Jerci percebeu que essa não era sua vocação.
Com as mudanças e a abertura da igreja católica, mudou também a filosofia de formação. “O padre Leopoldo era intransigente, e despojado ao extremo, corretíssimo, egocêntrico, ele queria ser flexível, mas não conseguia. Na fundação da APAE acompanhei o trabalho e hoje passados 40 anos, vejo a sua importância e a luta de Padre Leopoldo em prol dessas pessoas assistidas pela entidade”, destacou Jerci Macari, artista plástico e presidente da Orquestra da Sociedade Filarmônica de Valinhos.

Jerci Macari, Roberto Bernardi e Márcia Taparelli.
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